domingo, 14 de outubro de 2012

A VOLTA DOS MORTOS VIVOS



Em 1985 o roteirista Dan O’ Bannon (autor de Alien – O 8º Passageiro) dirigiu seu primeiro filme a partir de um roteiro próprio e que até hoje é considerado um Cult entre vários admiradores do cinema fantástico, A VOLTA DOS MORTOS VIVOS (The Return of The Living Dead). O roteiro parte da premissa que a história contada no clássico de George A. Romero em A Noite dos Mortos Vivos (Night of the Living Dead, 1968) é verdadeira e o responsável pela ressurreição dos mortos é um produto químico criado pelo exercito norte-americano para reanimar cadáveres e que acidentalmente vai parar na cidade em que se passa o filme.

Após um acidente o produto vaza e atinge o cemitério da cidade e quando os mortos se levantam de suas tumbas uma sucessão de situações inusitadas, divertidíssimas, assustadoras e bizarras acontecem envolvendo um grupo de punks, agentes funerários e funcionários de um armazém que fornece medicamentos e peças de cadáveres para hospitais e universidades.

O filme foi concebido numa época que os zumbis estavam em alta devido principalmente ao trabalho do mestre George A. Romero que conseguiu com sua trilogia dos mortos consagrar esses seres abrindo espaço para um novo subgênero do terror. O filme alcançou grande sucesso e teve até o momento 4 continuações mas os zumbis até hoje continuam sendo tema de vários filmes ótimos de terror como Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, 2004), Zumbilândia (Zombieland, 2009) e a série de enorme sucesso que já está em sua terceira temporada The Walking Dead desde que não sejam relegados a produções pífias e com roteiros mal elaborados como acontece na maioria das vezes.

Na minha opinião o segredo para um filme de zumbis  dar certo está no fato em que eles devem ficar na verdade em segundo plano no intuito de mostrar assuntos mais relevantes como a decadência de uma sociedade desmantelada, o desespero do ser humano  na luta pela sobrevivência em meio ao caos ou a crítica a uma sociedade consumista e egoísta, situações muito exploradas por George A. Romero em seus filmes e aqui são tratados de uma forma mais sarcástica.

Vale ressaltar também os efeitos visuais impressionantes e a trilha sonora repleta de punk-rock da época o que só engrandece muito mais a obra.

Abaixo link de uma das músicas da trilha sonora:

Banda: 45 Grave - Música: Partytime (Zombie Version) 

sábado, 13 de outubro de 2012

DEU A LOUCA NOS MONSTROS



Existem muitos filmes que foram exibidos no extinto Cinema em Casa e na hoje execrável Sessão da Tarde que marcaram minha infância e adolescência e espero aos poucos comentar sobre muitos deles aqui no blog. Tive a satisfação de rever hoje um desses filmes, DEU A LOUCA NOS MONSTROS (The Monster Squad, 1987), pena que foi na minha precária cópia em VHS já que nenhuma distribuidora se propôs ainda a lança-lo em DVD no Brasil.

O filme me marcou principalmente por conter alguns dos monstros clássicos da Universal Pictures e que eu sou fã até hoje: Drácula, Lobisomen, Frankenstein, Monstro da Lagoa Negra e A Múmia.

A história é bem simples e até posso dizer repleta de falhas no roteiro, mas o que conta mesmo é a diversão garantida que este filme proporciona com boas doses de humor, suspense e aventura. Cinco garotos fazem parte do “Clube dos Monstros” e entendem tudo sobre vampiros, lobisomens  e Cia, quando Drácula acorda de seu sono e lidera todos estes monstros no intuito de abrir os portais da escuridão e libertar todas as criaturas das trevas eles juntam suas habilidades, conhecimentos e coragem para enfrentá-los, formam então a “Patrulha Monstro” (Monster Squad como no titulo original), aliás o titulo em português é muito ruim e não exprime a essência do filme.

Outro fato que marca neste filme sem dúvida são os competentes efeitos visuais produzidos pelo renomado Stan Winston, veterano que fez os efeitos visuais de vários clássicos do cinema como Aliens, Predador, Edward Mãos de Tesoura, Jurassic Park, O Exterminador do Futuro e alguns filmes de terror como Pumpkinhead, Sexta-Feira 13- Parte 3, O Enigma do Outro Mundo e Entrevista com o Vampiro.  

Outro fato a ser comentado é a violência exibida no filme, embora que moderada existem muitas cenas com sangue e alguns momentos até politicamente incorretos para os padrões de censura impostos hoje pela TV e cinema, um exemplo disso é a cena em que Horace o gordinho da turma atira com uma arma calibre 12 no Monstro da Lagoa Negra explodindo o peito do bicho. Hoje seria praticamente impossível termos um filme como esse sendo exibido na Sessão da Tarde no horário em que todas as crianças estão em casa, hoje só são exibidos filme patéticos e sem graça que eles intitulam “filmes-família”.

Eu cresci assistindo filmes como Brinquedo Assassino, Rambo, Sexta-Feira 13, O Mestre dos Brinquedos e The Monster Squad nas tardes de minha infância e adolescência e hoje sou um adulto totalmente saudável e com muita saudade destes bons tempos da TV brasileira. 

Té +!

sábado, 6 de outubro de 2012

OS IMPERDOÁVEIS



Fico muito feliz quando tenho o prazer de apreciar certas pérolas do cinema que ainda não tinha visto, porém escutado falar muito bem a respeito e por fim, constato que os comentários realmente são verdadeiros.

A pérola do cinema a que me refiro é o filme OS IMPERDOÁVEIS (UNFORGIVEN, 1992), western que marca a volta de Clint Eastwood ao gênero que lhe consagrou.

É interessante observar que o personagem que Clint interpreta neste filme é uma espécie de desmistificação de todos os outros personagens na sua carreira no gênero western, pois aqui ele é William Munny, um ex-pistoleiro que abandona a vida de assassinatos e roubos após casar-se com uma bela moça, ter dois filhos e se torna apenas um fazendeiro normal.

Porém este hiato de mais de dez anos é interrompido pela recompensa oferecida pelas prostitutas de uma pequena cidade do estado de Wyoming para assassinar dois cowboys que desfiguraram a face de uma delas, vários pistoleiros são atraídos, dentre eles o jovem Schofield Kid (Jaimz Woolvett) que convida o famoso Munny para sair da aposentadoria e se tornar seu parceiro nesta caçada. Juntam-se também a eles o antigo parceiro de Munny, Ned Logan (Morgan Freeman).

As motivações e características destes três personagens são bem distintas: Munny ainda está se recuperando pela morte de sua esposa, não tem mais a mesma pontaria, largou a bebida e o único interesse é na recompensa para poder se estabilizar financeiramente e cuidar dos filhos.

Ned entra na caçada apenas pelo convite do velho amigo e ainda acredita ter ótima pontaria e condições de enfrentar qualquer parada, fato que não é verdade. E Kid é apenas um jovem arrogante que almeja ser um grande pistoleiro convencendo-se o tempo inteiro que é muito melhor do que Willian Munny foi um dia, mas tem problemas de visão e não enxerga além do que 50 metros a sua frente.

Mas a interferência do cruel e determinado xerife local Little Bill Daggett (Gene Hackman), será o ponto chave desta caçada e desencadeara uma verdadeira guerra.

O filme tem roteiro excelente, diálogos excepcionais e trilha sonora belíssima, além de ótimas atuações de Gene Hackman e Clint Eastwood. 

O filme na verdade é um grande desmistificador do glorioso velho oeste e seus personagens estereotipados, pois aqui vemos pistoleiros velhos, despreparados e sem nenhuma glória por seus feitos do passado, mas é difícil não se render ao saudosismo e Clint relembra os tempos de glória com uma cena de tirar o fôlego trazendo de volta o velho e cruel Willian Munny, uma verdadeira lenda viva do velho oeste, um verdadeiro motherfucker como tantos outros personagens da carreira de Clint Eastwood!!

Recomendadíssimo!