domingo, 29 de janeiro de 2012

TRILOGIA PREDADOR


Gostaria de falar um pouco sobre um filme de ficção cientifica repleto de suspense e que nos apresentou uma das raças de alienígenas mais amadas e reconhecidas por fãs de cinema fantástico no mundo inteiro, embora essa pequena descrição possa fazer muitos acreditarem tratar-se da franquia ALIEN, vou falar na verdade de Predadores! Não que os queridos aliens não mereçam uma coluna de comentários só deles, mas quero primeiro revisitar meu recém adquirido box da franquia para escrever algo que seja a altura do que eles realmente mereçam.

Comparar o primeiro filme dos predadores com o primeiro filme dos aliens pode parecer um pouco presunçoso da minha parte, pois a importância, relevância e originalidade de ALIEN – O 8º PASSAGEIRO (1979) não foi e nunca será superada por qualquer outra obra do cinema, mas as comparações são uma realidade que pude perceber vendo PREDADOR (1987). Embora o primeiro filme dos predadores seja mais ação do que propriamente ficção cientifica diferente do primeiro alien, o suspense de ambos é bem parecido e as criaturas vão dizimando suas vitimas ou presas aos poucos, e em pequenas doses vamos conhecendo seus objetivos e vendo toda a anatomia das criaturas.

E posso até imaginar que este tom de plagio talvez tenha se dado ao fato de Jim Thomas e John Thomas (ambos criadores do roteiro de predador e toda sua mitologia) parecer terem se basearam no roteiro de alien, mas é certo reconhecer que predador tem seus próprios méritos e criar a mitologia de uma raça com características tão distintas, misturando ritos tribais com tecnologia alienígena, é algo que já me faz olhar este filme como um pequeno clássico que merece um espaço na historia do cinema.  

Neste primeiro filme a história começa quando o Major “Dutch” (Arnold Schwarzenegger) parte com sua equipe de experientes boinas verdes em uma missão de resgate nas selvas hostis da America Central, dominadas por guerrilheiros e traficantes fortemente armados, mas não contava que é justamente neste ambiente que o predador resolve iniciar sua temporada de caça e após dizimar toda a equipe de soldados, espera deixar o melhor para o final num combate de gigantes contra o Major “Dutch”.

O código de honra dos predadores, que é um pouco mais bem explicado na seqüência é algo realmente interessante, mas neste primeiro filme já é possível observar algumas características deste jogo de gato e rato: ele estuda bem suas presas antes de atacá-las, ataca elas sempre que portam algum tipo de arma dando-lhes a chance de se defenderem e leva sempre um prêmio como forma de troféu. Mas sem dúvida ainda assim é um combate de proporções desfavoráveis na maioria das vezes, pois com uma tecnologia tão avançada que inclui uma camuflagem invisível fica difícil vencer um adversário de mais de 2 metros de altura.

    
A seqüência, PREDADOR 2 (1990) se passa dez ano após os incidentes do primeiro filme, só que no ambiente urbano da cidade de Los Angeles, e que atrai o alienígena é a infernal guerra entre  traficantes em busca de território  e o forte calor na cidade, momento propicio para iniciar novamente sua trajetória de caça, e é no policial durão e descabeçado Mike Harrigan (Danny Glover) que ele encontra novamente um oponente a altura.

Neste novo episódio da série é interessante também citar que os fatos ocorridos no primeiro em meio as florestas da América central já são conhecidos pelas autoridades e os federais intervém nesta guerra ao tomarem conhecimentos das mortes ocorridas pelo predador e armam um plano para capturá-lo,  no intuito de estudá-lo e obter conhecimento de sua incrível tecnologia, como sempre o antigo e famoso clichê do governo americano querendo raptar e estudar alienígenas.

Muita gente torceu o nariz para esta seqüência na época de seu lançamento, o que não a levou a ter o mesmo sucesso do primeiro e até hoje há muitos que não gostam dela, eu gosto muito e acho que os dois filmes se completam perfeitamente , até porque temos maiores informações (embora que muitas delas sugeridas) sobre esta curiosa raça alienígena, podemos entender melhor seu código de honra, seus objetivos de caça e inclusive entender que trata-se de uma raça muito antiga e que vem enfrentando diversas raça de outro planetas ao longo dos séculos apenas com o intuito de aumentar seus desafios de caça.

Exemplos disto podemos observar na seqüência final onde o policial cai dentro da nave alienígena e vemos diversos crânios expostos na paredes indicando as diversas raças enfrentadas (inclusive há um nítido crânio de Alien pendurado na parede!) e a arma que os outros predadores entregam ao policial como prêmio por ter vencido um deles é um modelo muito antigo datada em sua gravação do ano de 1715.

É uma pena que muitos destes elementos mostrados no segundo filme foram usados para difamar e macular a existência de duas das raças alienígenas mais intrigantes e adoradas por fãs de ficção cientifica e ação no mundo todo, nossos adorados Aliens e Predadores não mereciam que a Twentieth Century Fox permitisse o grande erro que foi filmar ALIEN VS PREDADOR (2004) e ainda persistir na mesma merda de erro fazendo ALIEN VS PREDADOR 2 (2007).


O que com certeza nos deixou mais aliviados depois de tanta tranqueira no cinema é que anos mais tarde o diretor Robert Rodriguez nos entregou um decente filme dos Predadores, não que PREDADORES (2010) seja um ótimo filme e traga grandes revelações ou novos conceitos a franquia, pelo contrario é o mesmo feijão com arroz só que desta vez a trama se passa em outro planeta onde um grupo de pessoas é capturada pelos predadores e levada a este planeta que parece ser seu próprio planeta de origem.

Dentre essas presas estão mercenários, ladrões e cidadãos supostamente “normais” e um a um eles são dizimados pela criatura, mas mais uma vez ele encontra um adversário durão e capaz de enfrentá-lo, o que realmente vale nesta nova obra é o fato de respeitar a mitologia das criaturas e ser um filme de ação decente.  

E há boa noticia para nossos aliens também, pois não posso deixar de comentar que este ano teremos PROMETHEUS, um novo capitulo na saga Alien que possivelmente nos contará a origem deste seres tão interessantes e há três motivos que me levam a crer que será o filme do ano e que sairei do cinema e correrei para escrever sobre ele no blog:

1º O talentoso diretor Ridley Scott, responsável pelo sucesso do primeiro capitulo da franquia esta de volta a direção;

2º A trama promete contar a origem desta raça tão interessante e que nos instiga a anos sobre suas origens, embora Ridley Scott não queira admitir isto;

3º O trailer mesmo sem entregar quase nada da trama me deixou e deixa boquiaberto cada vez que o vejo, trilha sonora, fotografia, efeitos especiais tudo parece ter sido feito com imenso capricho e respeito a obra já existente dos aliens.

Enfim, amo a mitologia dos aliens e predadores, e falo com toda a certeza que eles merecem lugar de destaque em qualquer galeria de maiores monstros do cinema fantástico, espero que qualquer obra que fizer menção a eles respeitem fãs como eu e você que desejam sempre um bom filme e novas expectativas destes dois mundos tão distintos, e se for para acabar com eles que não o façam ou deixem para quem realmente entendo do assunto, como Ridley Scott já disse: “se for para estragar, deixe que eu mesmo o faça”.


domingo, 22 de janeiro de 2012

DRIVE


"Você provou ser um herói de verdade e um ser humano de verdade" (Trecho da canção "A Real Hero") 

È uma pena que tantas “tranqueiras” estréiem em nossos cinemas toda semana enquanto produções menores e com histórias menos digeríveis do grande publico restrinjam-se apenas a grandes festivais ou uma passagem incrivelmente ligeira em salas de cinema.

É o caso de DRIVE, que teve sua estréia em festivais e cinemas norte americano em meados de setembro de 2011 e uma estréia prometida no circuito de cinema aberto brasileiro apenas para fevereiro deste ano. Pode ser que as comparações a TAXI DRIVER tenham trazido certo receio as distribuidoras ou até mesmo o fato de achar que não haja público para este tipo de filme, mas sabe qual é a minha opinião a respeito disto: hoje no cinema tudo se copia e nada se cria, mais quando a cópia é feita em tom de homenagem e com certo grau de originalidade é valido e existe sim público para o tipo de cinema mais voltado para a arte do que para o entretenimento descerebrado.

E acho uma grande sacanagem um bom filme como este demorar tanto para estrear no circuito aberto e com certeza quando estrear ficará restrito a meia dúzia de salas apenas nos lugares de classe media / alta, como se só nesses lugares houvesse vida inteligente, ah tenha dó!!! Espero que um dia isso mude!

Mas voltando a falar do filme embora seja uma historia parecida com a de TAXI DRIVER e sujeita a comparações as motivações que levam os personagens centrais de cada trama a tomarem certas atitudes são bem diferentes, enquanto De Niro em TAXI DRIVER é um veterano de guerra que deseja limpar a cidade de sua escoria e ao mesmo tempo buscar uma redenção protegendo a prostituta-mirim interpretada por Jodie Foster, em DRIVE não sabemos nada sobre o passado do motorista duble (Ryan Gosling) e sua motivação parte do amor que descobre na bela e jovem Irene (Carey Mulligan) e o carinho pelo seu filho Benicio. 

Mas a tranqüilidade deste misterioso motorista acaba quando o marido de Irene sai da cadeia e ele precisa a ajudá-lo a pagar uma antiga divida com mafiosos apenas no intuito de proteger a família dele.

A violência é tão explicita como em TAXI DRIVER e o motorista executa seus adversários das formas mais cruéis possíveis, e na maioria das vezes sem armas de fogo o que exige uma frieza maior ainda, a cena no elevador é um forte exemplo disso e chega a ser bela e chocante ao mesmo tempo.

A trilha sonora instrumental de Cliff Martinez em conjunto com a fotografia de Newton Tomas Siegel torna as cenas belíssimas, inclusive as mais violentas, e curti pra caramba a musica “A Real Hero” da banda College com uma letra que certamente remete ao motorista do filme, mas tenha minhas dúvidas se realmente ele pode ser considerado um humano ou um herói de verdade como diz a canção.

Certamente um filme que não pode passar despercebido, assim como o clássico de Martin Scorcese, TAXI DRIVER merece ser visitado ou revisitado várias vezes, pois cinema muitas vezes não é só uma mera diversão, mas uma obra de arte, é a SÉTIMA ARTE!!

Título Original: Drive
Gênero: Drama
Duração: 1 hr 40 min
Ano de Lançamento: 2011
Estúdio: Bold Films / Odd Lot Entertainment / Marc Platt Productions / Seed Productions
Distribuidora: FilmDistrict (EUA)
Direção: Nicolas Winding Refn
Roteiro: Hossein Amini, baseado em livro de James Sallis
Produção: Michael Litvak, John Palermo, Marc Platt, Gigi Pritzker e Adam Siegel
Música: Cliff Martinez
Fotografia: Newton Thomas Sigel

domingo, 8 de janeiro de 2012

SOBRENATURAL


Insidioso: Aleivoso, traiçoeiro. Palavra usada também para definir doenças que, principiando com aparência de benignidade, só manifestam seus sintomas quando a afecção já evoluiu: o começo do câncer é quase sempre insidioso.
O gênero do terror há muito tempo está desgastado e com falta de bons exemplares que realmente nos assustam, mas a questão não é só assustar e sim nos apresentar um roteiro decente nos levando a entrar numa história que nos faça pelo menos naquelas uma hora e meia, duas horas sentir certo nervosismo e desconforto em imaginar-se naquelas situações, sentimentos que eu definiria mais identificáveis com o suspense e um filme de terror que consegue unir suspense e terror de forma competente torna-se uma experiência inesquecível para quem gosta dos dois gêneros como eu.

Este filme me trouxe este tipo de experiência hoje, pois não só possui suspense e terror como um roteiro que flerta com algumas idéias já manjadas, mas trabalhadas aqui de forma inteligente: espectros em fotos, espíritos que andam pela casa a noite, possessão demoníaca e mundos sobrenaturais paralelos ao nosso.

Acho interessante esclarecer que estes mundos paralelos aqui têm relação direta com a experiência denominada projeção astral, uma teoria muito estudada tanto por religiosos quanto estudiosos, mas nunca comprovada cientificamente, até porque ao meu ver trata-se de uma experiência bem pessoal e interpretada de formas diferentes pelas pessoas que a vivenciam.  Este assunto é parte central do desfecho da trama, mas não vou falar mais nada para não acabar virando um spoiler.

Vale ressaltar que a direção é do cineasta James Wan e o roteiro de Leigh Whanell, os dois escreveram juntos JOGOS MORTAIS que Wan dirigiu em 2004 tornando-se rapidamente um fenômeno mundial de público e crítica e considerado hoje um dos melhores do gênero, em 2007 Wan também dirigiu o ótimo SENTENÇA DE MORTE com Kevin Bacon.

Fico chateado que devido a tantas bagaceiras que são lançadas no cinema, deixamos de conferir na telona filmes como este que vale cada centavo do ingresso e onde a experiência de ir ao cinema pode ser bem mais assustadora.

Recomendado!  

Título Original: Insidious
Gênero: Terror
Duração:1 hr 42 min
Ano de Lançamento: 2011
Estúdio: Alliance Films / Automatik Entertainment / Blumhouse Productions
Distribuidora: FilmDistrict (EUA) / PlayArte (Brasil)
Direção: James Wan
Roteiro: Leigh Whannell
Produção: Jason Blum, Oren Peli e Steven Schneider
Música: Joseph Bishara
Fotografia: David M. Brewer e John R. Leonetti
Direção de Arte: Jennifer Spence e Thomas Spence
Figurino: Kristin M. Burke